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Fiscalidade internacional

Paraísos fiscais em 2026: quem está nas listas e o que tem de declarar

A UE aponta dez jurisdições; Portugal tem uma lista própria, muito mais longa, que em 2026 perdeu Hong Kong, o Liechtenstein e o Uruguai. Porque divergem, que consequências têm e o que deve declarar.

Internacional · Portugal · 2026Âmbito revisto: 2026-10-08As regras dependem do regime fiscal; confirme as exceções e as obrigações transfronteiriças.
InternacionalPublicado a 5 de outubro de 20264 minutos de leitura
Lista da UE10 jurisdições, revista em fevereiro de 2026.
Lista portuguesaPortaria 150/2004; desde 1/1/2026 sem Hong Kong, Liechtenstein e Uruguai.
Contas no estrangeiroDeclaram-se no IRS, no anexo J.

Resposta curta: que países são paraísos fiscais?

Não há uma lista única. A lista da UE de jurisdições não cooperantes, revista a 17 de fevereiro de 2026, tem dez: Samoa Americana, Anguila, Guam, Palau, Panamá, Rússia, Ilhas Turcas e Caicos, Ilhas Virgens dos EUA, Vanuatu e Vietname.

Portugal tem a sua própria lista de regimes de tributação claramente mais favoráveis, na Portaria n.º 150/2004, bem mais longa. A Portaria n.º 292/2025/1 retirou dela Hong Kong, o Liechtenstein e o Uruguai com efeitos a partir de 1 de janeiro de 2026. Ter dinheiro fora é legal; não o declarar, não.

O essencial

  • A lista da UE avalia a cooperação em transparência fiscal, não o nível dos impostos.
  • A lista portuguesa é mais ampla e inclui territórios como Bermudas, Ilhas Caimão e Ilhas Virgens Britânicas.
  • Pagamentos a entidades em regimes da lista portuguesa têm consequências fiscais pesadas.
  • Contas e rendimentos no estrangeiro declaram-se no anexo J da declaração de IRS.
  • Mais de 100 jurisdições trocam automaticamente dados de contas financeiras.

Que países estão na lista negra da UE?

O Conselho da UE atualiza duas vezes por ano a lista de jurisdições não cooperantes para efeitos fiscais. Na revisão de 17 de fevereiro de 2026, acrescentou as Ilhas Turcas e Caicos e o Vietname e retirou as Fiji, a Samoa e Trindade e Tobago. A próxima revisão está prevista para outubro de 2026.

Lista da UE (anexo I)Lista cinzenta (anexo II): compromissos pendentes
Anguila, Guam, Ilhas Turcas e Caicos, Ilhas Virgens dos EUA, Palau, Panamá, Rússia, Samoa Americana, Vanuatu, VietnameBelize, Brunei, Essuatíni, Gronelândia, Ilhas Virgens Britânicas, Jordânia, Marrocos, Montenegro, Turquia

A lista só avalia países terceiros, e assenta na cooperação, não nas taxas: um território sem impostos pode ficar fora se trocar informação.

O que diz a lista portuguesa?

A lista portuguesa consta da Portaria n.º 150/2004, aprovada nos termos do artigo 63.º-D da Lei Geral Tributária, que define os critérios de um regime claramente mais favorável. A Portaria n.º 292/2025/1, de 5 de setembro, retirou Hong Kong, o Liechtenstein e o Uruguai, a pedido dos respetivos governos e com parecer favorável da AT, com efeitos para factos tributários a partir de 1 de janeiro de 2026. A lista continua a incluir dezenas de territórios, entre eles Andorra, Bermudas, Ilhas Caimão, Ilhas Virgens Britânicas, Gibraltar, Ilha de Man, Jersey, Guernsey e Mónaco.

Que consequências tem a lista portuguesa?

Que países lideram os rankings independentes?

O Corporate Tax Haven Index do Tax Justice Network mede quanto as leis de um país permitem às multinacionais evitar impostos, ponderado pelos fluxos financeiros. No momento em que escrevemos, os primeiros lugares são:

PosiçãoJurisdiçãoPosiçãoJurisdição
1Ilhas Virgens Britânicas6Hong Kong
2Ilhas Caimão7Países Baixos
3Suíça8Jersey
4Bermudas9Irlanda
5Singapura10Luxemburgo

Tem de declarar contas no estrangeiro?

Sim. Os residentes em Portugal declaram os rendimentos obtidos no estrangeiro no anexo J da declaração de IRS, onde também identificam contas bancárias no estrangeiro. Com a troca automática de informações da OCDE, os bancos estrangeiros comunicam as contas de residentes portugueses à AT, que cruza os dados com a sua declaração.

O que significa para um trabalhador independente?

Sobretudo, documentos em ordem. Com clientes ou fornecedores no estrangeiro, cada despesa precisa da mesma prova que em Portugal, e um fornecedor numa jurisdição da lista exige ainda mais cuidado. Veja o nosso sistema para organizar faturas e quanto tempo as guardar.

Onde o ReceGuard ajuda
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Perguntas frequentes

A Suíça é um paraíso fiscal?

Depende da lista. Não está na lista da UE nem na portuguesa, mas surge no topo dos rankings independentes.

Hong Kong ainda está na lista portuguesa?

Não. A Portaria n.º 292/2025/1 retirou-o, com efeitos a partir de 1 de janeiro de 2026.

É ilegal ter uma conta num paraíso fiscal?

Não. Ilegal é não declarar a conta ou os rendimentos. Os residentes declaram-nos no anexo J do IRS.

Posso deduzir um pagamento a um fornecedor numa jurisdição da lista?

Só se provar que corresponde a uma operação efetiva e não tem caráter anormal ou montante exagerado.

Com que frequência muda a lista da UE?

Duas vezes por ano, normalmente em fevereiro e outubro.

Fontes

Este artigo é informação geral, não aconselhamento fiscal. As listas mudam; confirme a versão em vigor e a sua situação com um contabilista certificado.

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